quarta-feira, 28 de abril de 2010

Qual é a ilusão que você me recomenda?


"Amor, cocô
Cocô, amor."

Irônico o fato de ambas palavras combinarem, não?

Pois é,
Se iludam, faz bem.
Percam seu tempo gostando de alguém;
Viva sempre nesse vai e vem,
Que o chute no traseiro vai te levar além.

Revoltada? - Não.
Fudida? - Ainda não.
Emo? - Seu cú tem cabelo? Meu pau é barbeiro. :)

Só estou tediada.

"Nada como a bosta da pessoa amada." (Paulo Leminski)

terça-feira, 27 de abril de 2010

Um Romance

"Ela se aproximou. Ele a tocou. De repente, ela não tinha mais nome próprio, tinha todos os nomes do mundo.
Por um momento, uma luz branca, muito intensa, o atravessou e ele soube que era tudo uma coisa só, despedida e regressa, posse e perda, vida e morte, passado e futuro, e que acima de tudo pairava sempre e em toda parte a face pétrea da eternidade, que jamais podia ser apagada - depois, a terra pareceu se abalar debaixo dele, sentiu-a redonda sob a sola dos pés, como se devesse saltar dela, projetando-se para a frente; segurou Elisabeth em seus braços e caiu com ela, para dentro dela..."


(Tempo para viver - Tempo para morrer)

domingo, 25 de abril de 2010

Uma História


"Toda a minha vida,
tive medo
de homens velando sobre mim.

Suponho que o primeiro homem a velar
por mim tenha sido meu pai,
mas ele sumiu antes que eu pudesse recordá-lo.

Por alguma razão, quando eu era menino,
gostava de brigar. Grande parte das vezes,
eu perdia. Outro menino, às vezes com
sangue pingando do nariz, erguia-se
acima de mim.

Muitos anos depois, precisei me
esconder. Procurava não dormir,
porque tinha medo de quem
estaria lá quando eu acordasse.

Mas tive
sorte.
Era sempre
meu amigo.

Quando estava escondido, eu sonhava
com um certo homem. O mais difícil
foi quando viajei para ir ao encontro dele.

Por pura sorte e depois de muitas
passadas, consegui.

Fiquei dormindo lá por muito tempo.
Três dias, disseram-me...
E o que encontrei ao acordar?
Não um homem, mas uma
outra pessoa a me vigiar.

Com o passar do tempo,
a menina e eu descobrimos
que tinhamos coisas em comum.

Mas há uma
coisa estranha.
A menina diz
que eu pareço outra
coisa.

Agora moro num porão.
Os sonhos ruins ainda vivem
no meu sono.
Uma noite, após meu pesadelo
habitual, uma sombra ergueu-se sobre
mim. Ela disse: - Conte-me o que
você sonha.
E eu contei.

Em troca, ela me explicou
do que eram feitos
seus próprios sonhos.

Agora, acho que somos amigos,
essa menina e eu. Em seu
aniversário, foi ela quem deu
um presente - a mim.
Isso me fez compreender que
o melhor vigiador que eu conheci
não é um homem..."

(O Vigiador - A menina que roubava livros)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Para ler e refletir


"Confira,
tudo que respira
Conspira."

-Paulo Leminski